terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Qual o sentido da vida?

A gente passa uma parcela da vida só a percebendo enquanto vida. O que esteve sempre ali, mas antes nos eram imperceptíveis dada a nossa história esboçada. O que sempre teve variáveis sentidos e lacunas para o desdenho na frase "Qual o sentido da vida?", hoje não é cética: é inibição.
E nossa percepção já não se é mais livre, pagã. É deturpada e criança reprimida.
No que tange a percepção, de quanto tempo precisamos para perceber as coisas?
No que tange as coisas, do que precisamos para ter percepção sobre elas?
A vida é mesmo essa filosofia do pensar e se calar. Até surgir, quando calhar, o canto do esmo. Valha-me a morte se a vida não é auto-suficiente. Cala-me o corte que me sangra ao ser impotente.
Faça-me o norte do sentido transparente.
Que eu serei o encargo de quem sente.

- Um Escritor Qualquer

Consciência

Há um pequeno intervalo entre a mão e o peito. A consciência mora no meio. Mora ali a conversão entre o bradar e o lamentar. O sentir e o sonhar. Está, também, a pessoa do abraço. Esta que vive no encaixe perfeito entre os dois. A consciência é quem impede que isso seja pleno. E quê culpa ela tem se vive na combustão entre o desdém e a compreensão?
Se te atormenta é porque apronta. Não te sai ileso da causa se te vais embora antes da valsa. O objetivo é ficar, arcar, viver e dançar a consciência das coisas. Você sobre as coisas. Sobre as coisas, você sob elas. Nelas e para com elas, você, diferente ou indiferente com a ciência, sabe dela tanto quanto ela sabe de você e faz questão de te lembrar quem é, o que fez e o que irá (des)fazer.
Sua consciência encara você?

- Um Escritor Qualquer

Licença Poética

O que dá aval para a licença poética é o não caber em si mesmo(a)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

(Sol)ando no Papel

Lápis coloridos e um pedaço de papel
Hora de inovar, reinventar o novo, mesmo que de novo

Um verde para o campo
Um marrom para as árvores
Um amarelo para a casa e para o sol

Um preto e um branco para o cachorro
O cinza para a calçada
Um laranja para a pipa e para o sol

Um rosa para a bola
Um azul para o chinelo
Um vermelho para a ferida e para o sol

De diversas formas para a montagem da paisagem, eu invento as cores
De diversas formas para a montagem das coisas, eu inverto as cores
O que não me atrevo a evitar é o sol, por isso ando, ainda só, em solo, sol

Multicores, ainda o mesmo sol
A mesma tarde
O mesmo retrato
A mesma lembrança
O mesmo trato
A mesma balança
O mesmo fato
Da mesma sustância
Do mesmo prato

E o sol põe-se antes do desenhar
Aí perco linhas
Nos traços mal laçados
Mas nunca deixo de desdenhar

Porque a tarde está no lápis
E nos campos floridos

Hora de acampar e reinventar ...o novo.

- Um Escritor Qualquer

Impermanência

Correr mais que a pressa não é dinamismo
Tropeçar no mundo é solitário
Eu que dou voltas, não volto, cismo
A peça de tudo está ao contrário

Todos cogitam o final
Ninguém se contenta com o não
Eu que muitas vezes sou fatal
Eu nasci sem propósito, sem dor, nem cor, nem feição

Eu que tanjo minha história
Vejo tudo pelo buraco da fechadura
Sem fissura, rasura, rachadura
Apenas embaçado, sem bocado, nem lado
Sem a sombra da dúvida,
Na súbita incerteza de mim

Segure-me como frágil
Me quebre e me construa
Eu quero ser o erro que, ao consertar, seja fácil
A palavra em seu lábio, vulgos pronomes sem espaço
A letra que desmancha, desfaço
Que rodeia a mente, embaraço

Sem impermanência
Só mantendo a essência
Do que fica e que fecha ao que sai e vai abri(indo)
Pois eu adoro a sensação
De quando eu quebro as correntes
Do que chamamos de destino

- Um Escritor Qualquer