quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Dia das Crianças

Eu quero voltar a ser criança
Para afirmar que o que digo é brincadeira
Para ser o que digo ser imaturo
Para fazer o que julgo ver torto

Ruar amizades
Toque de mão
Risos de verdade
Deitar o corpo ao chão

Eu não vivo em mim
Sonhos diversos
Nem sonho em mim
Diversas vidas

Estou sob os lençóis que me cobriram
Para que eu não veja o mundo sob ausência de tons
Para que eu não veja o mundo do qual pessoas se fazem cegas
Para que eu não sinta angustia de almas vagantes

Mas a criança que fui não me deixa
Não me deixa correr de nós
Não me deixa cair só
Não me deixa em mãos

Mas me deixa objetivar cada não
Me faz querer dançar, mesmo são
Me faz querer chorar, mas não de arranhão
Me faz querer gritar, só que sem razão

Eu quero voltar a ser criança?!
Não se volta ao que nunca se deixou de ser

- Um Escritor Qualquer

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Decadência

Sou como um gráfico que despenca, um desenho sem traço, um compromisso riscado da agenda, um sócio sem laço.

Sou como um dicionário sem palavras. Um lobo sem caça. Um beijo sem jeito. Um sonho sem valsa.

Sou um vinho sem data, um doce sem graça, um chão sem firmeza, um banco sem praça.

Sou uma crença sem pauta. Um ser sem alma. Sou diário sem mágoa. Sou, e nada me falta.

- Um Escritor Qualquer

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sorte

Vem às estreitas
Na hora do desafogo
Mas nem sempre nas beiras
Que chamamos de sufoco

Se por hora somos veias
Nelas eu corro
E se por hora ovelhas
Viramos lobos

E não é que eu dependa
Da sorte ser minha tenda
É que se eu negá-la
Vira lenda

A vida é a sorte
De quem luta e não pode
Viver sob a lei
De um mundo sem volta

- Um Escritor Qualquer

domingo, 10 de setembro de 2017

Reciprocidade

Sou como uma casa
Portas fechadas, mas não trancadas
Janelas abertas, arejada
Talvez descoberta, mas nunca alagada

Não anda muito mobilada
Estou sob mudança
Ao menos quadros não faltam
Para tapar inseguranças

É que o antigo inquilino não tratava
Nem de limpar, nem de regar plantas
E não é como se eu não reclamasse
Também... De que adianta?!

Ninguém sobrepõe os dois lados da balança;
Um dia cansa portar amor alheio
E me livre do receio de me culpar por isso

Um dia me disseram que a mutualidade
Não tem preço, não pesa, nem peca
Não prega nenhuma peça, preza

Um dia me disseram que a reciprocidade
Tem cheiro, jeito, moradia
E me perdoe não perceber antes
Que era minha vizinha

- Um Escritor Qualquer