quinta-feira, 6 de julho de 2017

Peito

Guarda, resguarda; por debaixo de farda
Aconchego da carência
O coração mais que pensa, sente
Pressente a dor
Se por vezes é tambor, é também
Aquarela, daquelas linhas
Tão belas, cheias de
Sóis, permite conexão
De corações a sós.

Peitos
Eixos, curvas e formatos
Interliga o filho ao trato de mãe
Tanto que ao fato
O nomeio amor

Atentado ao pudor
Resquícios de tabu
Falsa sensibilidade enrustida
Preconceito embutido

Dê respeito à ousadia
De querer exercer direito
À vida em desenvolvimento
A um mundo inacabado

- Um Escritor Escritor

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Ausência

Por um momento eu achei
Que sumiria
E não sentiria a
Ausência
Mas não que me pertença
A chance de
Alterar
A lei da desavença

É que eu não me encaixo
Em laços mal bocados
Por um peso que
Não é meu
Sei lá se me apetece
Quem me deu
Se um dia desaparece
Se um dia doeu

Tudo o que sei é
Que é preciso sumir
Para existir
Presença
Noção
Sabe-se ou não
Que a ausência é
A dor da solidão.

- Um Escritor Qualquer

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Começo de Tudo

O começo das coisas não mede faltas nem cobra fatos; apenas deixa sobreposto na mesa o instante.

O começo da conversa está na varanda, na calmaria das palavras, no compasso do assunto. Está na identidade, na identificação. Mesmo quando em nossas vidas nada seja idêntico. Encerra-se no apogeu dos sentimentos, na sábia razão de guardar à sete mares o desafogo.

O começo da música está nos devaneios, na ida a outra constelação, no desembaraço dos nós. Mesmo em nós, está em quem nos vive. Está na comunhão de sentidos. Está, também, em corações partidos. Encerra-se depois de repetidos refrões em que enfatiza-se os bons e velhos passos de dança.

O começo da vida está no nascimento de ideias, no quarto planejado de um adolescente, mas não mais do que no sorriso de uma criança. Não encerra-se.

Eu sou o começo da vida, porque, sem mim, a vida não tem fim.

- Um Escritor Qualquer

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Pior Lado da Vida

Será que o que temos por dentro asemelha-se aos outros? E qualquer atitude que tomemos faz-nos egoístas ou altruístas, simplesmente por ser direcionada a algo ou alguém? O que leva alguém a desbravar? O que leva algo a deixar? O que leva alguém a ficar? O que leva algo a avocar?

Incessantes questões que não fazem questão de suas respostas. Tampouco devem atiçar o interesse do desconhecido por trazê-lo consigo o perigo. Lesões de uma aventura são marcas, traços de um composto. Uso do rosto: expressões. Fazem-se esboço: arranhões. Mais do que o gosto: novas sensações.

Mas - e sempre há de encontrar um porém a cada vírgula da vida -, ora não sentimos coisas que agrada-nos, ora não sentimos nada.

E o que somos sem sentir?

Já sentiu vontade da chuva alguma vez? Já sentiu vontade da chuva como se estivesse num deserto? É o abismo do ser. Aquele pedaço de nós que mãos quaisquer não afagam - sequer atrevem-se a chegar mais perto do que considera seguro para si, como se a segurança fosse o porto-seguro de uma vida sem rotas alternativas. Sem fuga, sem chance de olhar para trás.

Já sentiu vontade de dançar? De movimentar não só o corpo, mas de agitar tudo o que você construiu dentro de si?
E de dançar sem música, batida, pessoas, bebidas, luzes...? Apenas agitar sem companhia, na sua ousadia de querer dançar, sem alguém para julgar, sem lançar palavras que te denomine pessoa tola, sem escrúpulos de uma mente que não acompanha ritmo de dança - e o corpo mais que compreende. É mais que o egoísmo de mergulhar em si sem importar-se com o redor; mais que o altruísmo de te pensar como outro ser que quer livrar-se de um corpo que o limita a exercer a dança plena, independente de par, independente de vida.

Já sentiu-se na estaca zero? De sentir-se impotente ao ponto de desolação? De descrer no ser que és? Ou talvez nem tenha a ver com você. Descrê no que vê. No que imagina que exista - e abomina.
Já imaginou-se desprezível para alguém? E este alguém, cheio de incertezas, arra seu vocabulário para proferir asneiras? Coisas que nem a vida sem sentido pode proporcionar? E o pior: nisso a gente crê. Isso a gente sente, mesmo que incontente. Isso a gente abraça como causa. E talvez tenhamos razão da pessoa tola que somos.

"Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"

...(continua)

- Um Escritor Qualquer

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Leia

Sabe o texto? Muitas pessoas correm disso, porque sabem o que um texto completo carrega consigo: conhecimento.
Então apela para o resumo que, mesmo em poucas linhas, pode ser objetivo sem perder o sentido; mas nunca será o mesmo que o texto - somente pela causa dos detalhes.
Mas tem gente que apela para o resumo do resumo. A partir daí deixa de ser objetivo e passa a ser a bula do remédio que ninguém lê; só passa o olho.
Só que tem a resenha do resumo do resumo do texto - aonde é fachada. Acha que lê, mas nem leitura é. Acha que entende, mas nem conhece palavras inteiras. Acha que é perito, mas se pedir para aplicar em algum momento da vida, faz como quando sabe que é texto: corre.

Pois bem, leu tudo? Agora sabes de tua posição.

- Um Escritor Qualquer