quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Começo de Tudo

O começo das coisas não mede faltas nem cobra fatos; apenas deixa sobreposto na mesa o instante.

O começo da conversa está na varanda, na calmaria das palavras, no compasso do assunto. Está na identidade, na identificação. Mesmo quando em nossas vidas nada seja idêntico. Encerra-se no apogeu dos sentimentos, na sábia razão de guardar à sete mares o desafogo.

O começo da música está nos devaneios, na ida a outra constelação, no desembaraço dos nós. Mesmo em nós, está em quem nos vive. Está na comunhão de sentidos. Está, também, em corações partidos. Encerra-se depois de repetidos refrões em que enfatiza-se os bons e velhos passos de dança.

O começo da vida está no nascimento de ideias, no quarto planejado de um adolescente, mas não mais do que no sorriso de uma criança. Não encerra-se.

Eu sou o começo da vida, porque, sem mim, a vida não tem fim.

- Um Escritor Qualquer

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Pior Lado da Vida

Será que o que temos por dentro asemelha-se aos outros? E qualquer atitude que tomemos faz-nos egoístas ou altruístas, simplesmente por ser direcionada a algo ou alguém? O que leva alguém a desbravar? O que leva algo a deixar? O que leva alguém a ficar? O que leva algo a avocar?

Incessantes questões que não fazem questão de suas respostas. Tampouco devem atiçar o interesse do desconhecido por trazê-lo consigo o perigo. Lesões de uma aventura são marcas, traços de um composto. Uso do rosto: expressões. Fazem-se esboço: arranhões. Mais do que o gosto: novas sensações.

Mas - e sempre há de encontrar um porém a cada vírgula da vida -, ora não sentimos coisas que agrada-nos, ora não sentimos nada.

E o que somos sem sentir?

Já sentiu vontade da chuva alguma vez? Já sentiu vontade da chuva como se estivesse num deserto? É o abismo do ser. Aquele pedaço de nós que mãos quaisquer não afagam - sequer atrevem-se a chegar mais perto do que considera seguro para si, como se a segurança fosse o porto-seguro de uma vida sem rotas alternativas. Sem fuga, sem chance de olhar para trás.

Já sentiu vontade de dançar? De movimentar não só o corpo, mas de agitar tudo o que você construiu dentro de si?
E de dançar sem música, batida, pessoas, bebidas, luzes...? Apenas agitar sem companhia, na sua ousadia de querer dançar, sem alguém para julgar, sem lançar palavras que te denomine pessoa tola, sem escrúpulos de uma mente que não acompanha ritmo de dança - e o corpo mais que compreende. É mais que o egoísmo de mergulhar em si sem importar-se com o redor; mais que o altruísmo de te pensar como outro ser que quer livrar-se de um corpo que o limita a exercer a dança plena, independente de par, independente de vida.

Já sentiu-se na estaca zero? De sentir-se impotente ao ponto de desolação? De descrer no ser que és? Ou talvez nem tenha a ver com você. Descrê no que vê. No que imagina que exista - e abomina.
Já imaginou-se desprezível para alguém? E este alguém, cheio de incertezas, arra seu vocabulário para proferir asneiras? Coisas que nem a vida sem sentido pode proporcionar? E o pior: nisso a gente crê. Isso a gente sente, mesmo que incontente. Isso a gente abraça como causa. E talvez tenhamos razão da pessoa tola que somos.

"Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"

...(continua)

- Um Escritor Qualquer

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Leia

Sabe o texto? Muitas pessoas correm disso, porque sabem o que um texto completo carrega consigo: conhecimento.
Então apela para o resumo que, mesmo em poucas linhas, pode ser objetivo sem perder o sentido; mas nunca será o mesmo que o texto - somente pela causa dos detalhes.
Mas tem gente que apela para o resumo do resumo. A partir daí deixa de ser objetivo e passa a ser a bula do remédio que ninguém lê; só passa o olho.
Só que tem a resenha do resumo do resumo do texto - aonde é fachada. Acha que lê, mas nem leitura é. Acha que entende, mas nem conhece palavras inteiras. Acha que é perito, mas se pedir para aplicar em algum momento da vida, faz como quando sabe que é texto: corre.

Pois bem, leu tudo? Agora sabes de tua posição.

- Um Escritor Qualquer

domingo, 31 de julho de 2016

À beira

Talvez, mas só talvez
Eu preste atenção
Não solte a mão
Não perca a razão
Talvez, e somente talvez
Eu seja discreto
A tenha perto
Sem ilusão
Talvez, talvez
Eu caminhe
E de trilhos, desvie
De antemão
Talvez eu chore
Não me implore
Chão
Talvez te esqueça
Dos lábios desapareça
Uma vez em vão
Talvez eu seja tendo...
Hmm, duvido!
Talvez eu tenha sido.

- Um Escritor Qualquer

sábado, 28 de maio de 2016

Entonações

Você se apaixonou pela minha voz
Até ouvir as entonações
E não esperou ouvir de mim [canções]
O que eu faço com minha primeira declaração?
Vai para a gaveta, junto a outras decepções
Maldita é a minha razão que também te escutou, e se aproximou
Gostou, provou e agora sente-se humilhada por sentir o que o coração já se cansou
Vão?
Não
Quero me entregar a um destinário que não mude de endereço
Quero me perder em linha de risos, em perfumes perdidos no ar
Alguém que não meça esforços para dar o que mereço
Alguém que me encontre e que não cogite a ideia de deixar
Quero ser o gosto de quem provou e quer repetir
Quero ser a tarde de quem cochilou e quer voltar a dormir
Quero ser o passo de quem dançou e quer sacudir
Ah
Quero ser teu amado como quem quer te amar

Um Escritor Qualquer